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April 10, 2011

Momento para...

René Maria Rilke...

Tudo o que é terrível, é no fundo algo que precisa do nosso amor.




April 08, 2011

Momento para...

Pablo Neruda

Juntos somos aquilo que a pobre gente nunca alcança, o céu na Terra.

Aperto-te ao meu coração, amor meu, com corpo, alma e amor.


January 27, 2011

Momento para...

David Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses,
E por vezes os meses oceanos,

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos. E por vezes


encontramos de nós em poucos meses,
o que a noite nos fez em muitos anos.

E por vezes fingimos que lembramos.

E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos,

só o sarro das noites, não dos meses,

lá no fundo dos copos encontramos.


E por vezes sorrimos ou choramos.

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se envolam tantos anos.



October 01, 2010

Momento para...

Carlos Drummond de Andrade

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor
que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

September 24, 2010

Momento para...

Almada Negreiros

As pessoas que mais admiro são aquelas que nunca acabam.

September 13, 2010

Momento para...

Ary dos Santos em Estigma

Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos

Por cidades,

Por nuvens

E desertos.

Ao vento semeamos o que os homens não querem.

Ao vento arremessamos as verdades que doem

E as palavras que ferem.

Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde

Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.



August 30, 2010

Momento para...

Vinicius de Moraes em Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure



August 16, 2010

Momento para...

José Saramago em Cadernos de Lanzarote

(...) Quantas vezes sucede que não prestamos atenção suficiente não só ao tempo que passa, mas às pessoas que este nos vai trazendo e depois levando, deixando-nos, frequentemente, o sabor amargo das ocasiões perdidas.


February 12, 2010

A verdadeira prova de inteligência não é a quantidade de coisas que sabemos fazer, mas sim como nos comportamos quando não sabemos o que fazer.
Tjerk Heukelom

É isso que tenho andado ultimamente a fazer, precisamente a tentar ser inteligente.
Mas... I'll be back!

November 03, 2009

Peter Pan - o síndrome



Muitos são os homens que recusam comportar-se como adultos.

Para eles o crescimento traduz-se num fenómeno extremamente penoso, poder-se-á mesmo dizer para alguns, em algo inconcebível.
As responsabilidades inerentes à maioridade são-lhes difíceis de aceitar e mais ainda, compreender.
Claro que estes eternos enfants terribles poderão ser simpáticos, divertidos, encantadores e a sua vida profissional até poderá ser coroada de êxitos e sucessos.

Mas... e numa relação amorosa?
Bem, aí o caso muda de figura e a sua constante imaturidade cedo se revelará frustante para as mulheres que com eles decidiram partilhar a vida.

É certo que eles não chupam no dedo nem fazem as traquinices próprias de garotos de quatro ou cinco anos, mas mantêm muito dos traços característicos da infância revelando-se egoístas, imaturos e, o pior de tudo, incapazes de amar, o que dará origem a crises conjugais de difícil solução.

Este psicólogo americano, reuniou neste livro conselhos para o que ele descreve como problemas psicológicos graves.

A seguir indico um teste, onde nos poderemos rever ou não, nalguns atributos do SPP (Síndrome Peter Pan). A presença de 1 ou 2 atributos não faz um homem vítima tal como estar inconsciente não torna uma pessoa morta.

Para aqueles homens que ousarem examinar-se , este teste poderá ser muito revelador.
Mas um aviso: se for vítima de SPP, achará o teste idiota, irrelevante e pateta.
Pode mesmo irritar-se.
Se isso acontecer , ele sugere que está ameaçado pela verdade e que tenta evitá-la como faz com outras coisas que se aproximam demais de casa; ou seja, desliza para uma atitude cínica em que ri por fora e está aterrado por dentro.


* T E S T E SPP, por Dan Kiley

1 - Quando comete um erro, reage exageradamente, quer exagerando a culpa ou procurando desculpas para se absolver de qualquer censura.

2 - Esquece-se de datas importantes; por exemplo aniversário casamento, de nascimento.

3 - Numa festa, ignora a mulher/namorada mas faz os possíveis para impressionar outras pessoas, especialmente mulheres.

4 - Considera quase impossível dizer "desculpa".

5 - Espera que a mulher/namorada tenha relações sexuais quando ele quer, pensando pouco na sua (dela) necessidade.

6 - Põe tudo de lado para ajudar os colegas, mas falha nas pequenas coisas que a mulher/namorada lhe pede para fazer.

7 - Exprime preocupação pela mulher/namorada e pelos seus (dela) problemas e sentimentos apenas depois de ela se ter queixado da indiferença dele.

8 - Inicia uma actividade ou passeio apenas se for alguma coisa que ele queira fazer.

9 - Parece considerar extremamente difícil exprimir os seus sentimentos.

10 - Não presta atenção às opiniões que diferem das suas.

11 - Tem um problema com o alcoól; quando bebe, a sua personalidade parece mudar; demonstra um temperamento sensível, falsa coragem ou alegria exagerada.

12 - Está desprovido de sinceridade no relacionamento com outras pessoas, especialmente com o filho, mais velho no caso de existirem mais.

13 - Sente que não deve faltar a qualquer acontecimento de diversão com os colegas e excede, por vezes, o limite do racional a fim de não ser deixado de fora

14 - Parece ter receios inexplicados e falta de confiança pessoal, mas recusa-se a falar nisso.

15 - Anseia estar perto do pai, mas em qualquer conversa (presente ou passada) com o pai é afectada, cerimonial e com falta de profundidade.

16 - Acusa a mulher/namorada de ser demasiado emocional, ao passo que ele parece estar acima de tudo. Quando ela se zanga, ele fica imóvel.

Este é o teste.
0 para nunca; 1 para uma ou duas vezes e 2 para sempre. Some.
De 0 a 7 não é vítima de SPP
De 8 a 20 o SPP é definitivamente uma ameaça.
De 21 a 32 O SPP está em acção.

O síndrome tem cura.
É importante ler o livro.

Melhor... só?



Quando se fala em viver sózinho, viajar sózinho, logo vem o rótulo de solidão, de pessoa encalhada, triste, um deprimido pela certa e com maior certeza: um tipo de "mau feitio".

Enganam-se os que julgam estarem bem, suportando casamentos sem Amor, pendurados no estigma das finanças ou status familiar e social.

Ou suportando contra-vontade (e outros até a bem da vontade) amizades coloridas, porque "todos temos necessidades e isto do compromisso é uma chatice que nos tira a liberdade".

Bom, liberdade tem-se dentro e fora do casamento. Não é por usar uma anilha ou por não a usar.

Liberdade está na nossa cabeça e na do parceiro e vice-versa... tb.

O que as pessoas não falam nunca - e isso é que é o problema, é no r e s p e i t o, h o n e s t i d a d e, ou melhor: a falta deles. Principalmente para elas próprias.

Quem se sente bem sózinho não magoa outros com enredos e falsidades só para poder ter momentos prazenteiros para quando lhe dá na gana, quando se lembra que é adulto, maduro e tal e até lhe faz falta uma companhia ou quando na mão dos prazeres, arranjou uma tendinite.

Usar cronómetros na gestão dos afectos é o mesmo que tomar as refeições num laboratório de análises de doenças infecto-contagiosas. Não é bom. Vai acabar mal.

Pior do que até sequer pensar em geri-los (aos afectos).

Nas relações de longa duração todos nós temos oportunidade de fool around, mas - e isto é o que nos separa dos animais - todos temos a capacidade de julgar, de usar o raciocínio e distinguir o trigo do joio.

Sózinho, é pois a melhor forma de se estar e ser... egoistícamente falando se formos sinceros para nós próprios. Será?
Não, só seremos egoistas se usarmos do "sózinho" e não largármos o (man)ter "outrem" (ou mais por vezes). Acaba mal.

Já é por todos sabido, o meu desconforto de opinião em relação à pessoa da Margarida Rebelo Pinto, no entanto e volto a frasear, cito-a com muito prazer e ensejo que sirva para alguma coisa, para alguns pontos de vista que andam para aí tortos como cepas da melhor uva.


AS SEGUNDAS escolhas podem trazer-nos a ilusão da segurança, mas se o coração, a cabeça e o estômago não estão lá por inteiro, mais tarde ou mais cedo, a miragem ganhará contornos daquilo que é: a projecção torpe de uma quimera sonhada. E quem escolhe por defeito – por medo da solidão, por pensar que não merece melhor, porque não quer sentir-se a tal carta do baralho extinto –, mais cedo ou mais tarde, será obrigado a enfrentar os seus próprios fantasmas.

(...)
E, para quem não sabe estar só, o melhor é ir aprendendo. Mais vale só do que acompanhado por um alguém qualquer que tanto podia estar ao nosso lado como ao lado de outro alguém. Refugo, só nas lojas de velharias.

(...) andamos todos à procura da casa da nossa vida, da viagem da nossa vida, do livro da nossa vida e da mulher (ou homem) da nossa vida. E quando julgamos ter encontrado e acabou ou se perdeu, continuamos presos à ideia, à pessoa. Para quê?
O melhor de uma viagem é viajar, tal como o melhor de amar é descobrir e aceitar, sem ter de prender o outro com promessas, papeladas, alianças ou anilhas, até porque quem ficar connosco por outras razões que não sejam as do coração, nem merece o nosso amor, nem nós merecemos o amor que possa ter por nós.

Margarida Rebelo Pinto

October 26, 2009

August 13, 2009

Bom feitio é ouro

Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou o mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto dá a volta.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava a ir pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais...
E ela diz: **- Entre ter razão, alimentar um conflito e ser feliz, prefiro ser feliz.** Estávamos à beira de uma discussão. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!"

*MORAL DA HISTÓRIA:
* Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de: tê-la ou não.

Deixem-se de conflitos e parafraseando o nosso querido Solnado: Façam o favor de ser felizes!!

July 28, 2009

O livro de Gastão


(Pablo Picasso )

Foi numa tarde de imensa solidão, para os lados do Outono e numa casa de esquina com a igreja matriz da aldeia alpina. Céu cinzento, nuvens gordas de gotículas gélidas e frenéticas de liberdade. Raios cobriam o horizonte e de lá longe chegava o trovão da tempestade. Imponente.

As árvores rugiam à vontade do vento, a fauna e flora rezava a Santa Bárbara para que tudo parasse rápido; quanto a mim, tanto me fazia.
Era a natureza no seu melhor e sempre me preenchia o vazio da solidão, do silêncio, aquele que ecoa dentro da cabeça e nos deixa ainda mais sós.

Com manifesta minúcia li o teu livro, o tal que te propuseste escrever, faz agora uns seis anos.

Seis longos anos, em que te empenhaste, esforçaste, estudaste, investigaste...
Sei bem o que padeceste e tanto ou mais valor te dou por isso mesmo.

Chegaste ao epílogo e libertaste-te dum capricho, dum desígnio da idade, dum cliché da nossa geração que para sermos Homens teriamos que ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore.
Fizeste isso tudo, mas ainda hoje acho que cannabis plantado no quintal não serve como árvore. Não importa agora também.

Terminei o livro num ápice.
Cinquenta e sete páginas de pobre enredo, usado, já muito visto e falado.
Personagens que carecem de realismo, de essência, de interesse. Mini-capítulos em catadupa, nem sequer é inédito. Mau.

Não tive ainda a coragem - a mesma que veste os heróis; nem a astúcia - a mesma que domina nas raposas.
E muito menos a misericórdia - a mesma que dizem reina nos Céus.
Falta-me tudo isso e mais o engenho para te dizer, assim por muitas ou mesmo poucas palavras que o teu livro, Gastão, não presta.

É a minha apreciação... e agora dizer-to?


July 27, 2009

O Que Foi Que Ele Disse?



Meu povo, sede justos na medida e no peso e em nada lesai os outros e não corrompeis a terra.

Deus não muda o destino de um povo até que o povo não mude a sua alma.

Maomé

July 23, 2009

O Que Foi Que Ele Disse?


Tagore com Gandhi, India


Rabindranath Tagore, prémio nobel da literatura (n.1861-1941):

"Se chorares de noite pelo sol, não verás as estrelas"

July 15, 2009

A diferença está no tentar



Foi na semana passada.

Ajudei uma pessoa a subir os degraus do comboio. Um senhor na casa dos seus 55/60 anos, bem vestido e aprumado.

Vejo-o de amiúde e por norma aquela hora, à espera do comboio, pelo que presumo se dirija ao emprego em Lisboa.

Naquele dia, ou porque estava a pensar noutra coisa, ou porque se desorientou, ou porque apenas porque, não dava com a porta, por conseguinte iniciou um nervosismo ritmado com a sua bengala.

Processo normal para quem é cego e tem que se adaptar à força, ao mundo ainda egoísta dos ditos "normais" só porque são mais.

Foi tudo muito rápido, aliás como ditam as regras do despachar-que-o-comboio-tem-de-seguir-e-estamos-sempre-todos-com-muita-pressa.

Dei-lhe o braço. Subimos.

As pessoas, que inevitavelmente levaram um encontrão, olharam de viés para lançar um olhar mortífero de quem fora incomodado, contudo, quando perceberam tinha sido um cego, conformaram-se na sua riqueza de sentidos e apaziguaram o seu fel matinal em nada tecerem.

Neste turbilhão foi quando me apercebi que o senhor trazia um sapato de cada cor: um preto e um castanho.

Tive um choque. Um manancial de pena, de desilusão, de impotência, de fraqueza, de despropositada culpa - tudo brotou ao mesmo tempo.

Nada lhe disse. Achei que o iria incomodar mais, e claramente nada ele poderia fazer naquele momento. Deixei para os colegas, para as pessoas com quem tenha uma relação mais íntima e de confiança.

Já passou seguramente uma semana, mas ainda penso nisto. Nesta minha atitude.

Será que o deveria ter avisado, apesar de que todos naquele mínimo espaço, iriam ouvir e ele talvez ficasse magoado por ser exposto por uma estranha, apenas pelo seu desculpável inadequado gesto social (o trazer um sapato diferente em cada pé)?

É difícil.

Não é fácil lidar com as pessoas, ainda para mais com quem não conhecemos, com quem não sabemos como andam no mundo: se a bem ou revoltadas.

O respeito pelos outros, pelo seu espaço, pela sua intimidade, pela sua liberdade, é bonito dizer-se, mas a diferença está no tentar.

July 07, 2009

O Que Foi Que Ele Disse?


"Esperar que a vida o trate sempre bem porque é uma boa pessoa, é como esperar que um touro não o ataque porque é vegetariano".

Dennis Wholey (n.1939 - )

May 29, 2009

Moral do dia



François de la Rochefoucauld (n.1613 - 1680)

Estabelecemos regras para os outros e excepções para nós.

May 25, 2009

Segunda-feira


Deixemos a semana começar...