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May 01, 2011

Para a minha Mãe....

(com a ajuda de Drummond de Andrade e Picasso)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça, é eternidade.
Por que Deus se lembra — mistério profundo — de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.

April 08, 2011

Momento para...

Pablo Neruda

Juntos somos aquilo que a pobre gente nunca alcança, o céu na Terra.

Aperto-te ao meu coração, amor meu, com corpo, alma e amor.


January 27, 2011

Momento para...

David Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses,
E por vezes os meses oceanos,

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos. E por vezes


encontramos de nós em poucos meses,
o que a noite nos fez em muitos anos.

E por vezes fingimos que lembramos.

E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos,

só o sarro das noites, não dos meses,

lá no fundo dos copos encontramos.


E por vezes sorrimos ou choramos.

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se envolam tantos anos.



August 18, 2009

Transitoriedade



Cecília Meireles, Brasil, Jornalista e Poetisa (n.1901-1964)

Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos.
Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.
(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder.
A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

February 23, 2009

Segredo




Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro
os cortinados
para uma
sombra
mais espessa

Deixa que feche
o anel
em redor do teu
pescoço

com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles

a fim de te ouvir gritar

Maria Teresa Horta (n.1937 - )