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November 03, 2009

Peter Pan - o síndrome



Muitos são os homens que recusam comportar-se como adultos.

Para eles o crescimento traduz-se num fenómeno extremamente penoso, poder-se-á mesmo dizer para alguns, em algo inconcebível.
As responsabilidades inerentes à maioridade são-lhes difíceis de aceitar e mais ainda, compreender.
Claro que estes eternos enfants terribles poderão ser simpáticos, divertidos, encantadores e a sua vida profissional até poderá ser coroada de êxitos e sucessos.

Mas... e numa relação amorosa?
Bem, aí o caso muda de figura e a sua constante imaturidade cedo se revelará frustante para as mulheres que com eles decidiram partilhar a vida.

É certo que eles não chupam no dedo nem fazem as traquinices próprias de garotos de quatro ou cinco anos, mas mantêm muito dos traços característicos da infância revelando-se egoístas, imaturos e, o pior de tudo, incapazes de amar, o que dará origem a crises conjugais de difícil solução.

Este psicólogo americano, reuniou neste livro conselhos para o que ele descreve como problemas psicológicos graves.

A seguir indico um teste, onde nos poderemos rever ou não, nalguns atributos do SPP (Síndrome Peter Pan). A presença de 1 ou 2 atributos não faz um homem vítima tal como estar inconsciente não torna uma pessoa morta.

Para aqueles homens que ousarem examinar-se , este teste poderá ser muito revelador.
Mas um aviso: se for vítima de SPP, achará o teste idiota, irrelevante e pateta.
Pode mesmo irritar-se.
Se isso acontecer , ele sugere que está ameaçado pela verdade e que tenta evitá-la como faz com outras coisas que se aproximam demais de casa; ou seja, desliza para uma atitude cínica em que ri por fora e está aterrado por dentro.


* T E S T E SPP, por Dan Kiley

1 - Quando comete um erro, reage exageradamente, quer exagerando a culpa ou procurando desculpas para se absolver de qualquer censura.

2 - Esquece-se de datas importantes; por exemplo aniversário casamento, de nascimento.

3 - Numa festa, ignora a mulher/namorada mas faz os possíveis para impressionar outras pessoas, especialmente mulheres.

4 - Considera quase impossível dizer "desculpa".

5 - Espera que a mulher/namorada tenha relações sexuais quando ele quer, pensando pouco na sua (dela) necessidade.

6 - Põe tudo de lado para ajudar os colegas, mas falha nas pequenas coisas que a mulher/namorada lhe pede para fazer.

7 - Exprime preocupação pela mulher/namorada e pelos seus (dela) problemas e sentimentos apenas depois de ela se ter queixado da indiferença dele.

8 - Inicia uma actividade ou passeio apenas se for alguma coisa que ele queira fazer.

9 - Parece considerar extremamente difícil exprimir os seus sentimentos.

10 - Não presta atenção às opiniões que diferem das suas.

11 - Tem um problema com o alcoól; quando bebe, a sua personalidade parece mudar; demonstra um temperamento sensível, falsa coragem ou alegria exagerada.

12 - Está desprovido de sinceridade no relacionamento com outras pessoas, especialmente com o filho, mais velho no caso de existirem mais.

13 - Sente que não deve faltar a qualquer acontecimento de diversão com os colegas e excede, por vezes, o limite do racional a fim de não ser deixado de fora

14 - Parece ter receios inexplicados e falta de confiança pessoal, mas recusa-se a falar nisso.

15 - Anseia estar perto do pai, mas em qualquer conversa (presente ou passada) com o pai é afectada, cerimonial e com falta de profundidade.

16 - Acusa a mulher/namorada de ser demasiado emocional, ao passo que ele parece estar acima de tudo. Quando ela se zanga, ele fica imóvel.

Este é o teste.
0 para nunca; 1 para uma ou duas vezes e 2 para sempre. Some.
De 0 a 7 não é vítima de SPP
De 8 a 20 o SPP é definitivamente uma ameaça.
De 21 a 32 O SPP está em acção.

O síndrome tem cura.
É importante ler o livro.

February 11, 2009

Eutanásia

Volta e meia vem à baila este tema.

Sobre doentes em estado terminal que sofrem, uns falam em valorizar a vida; outros falam em respeitar o desejo de terminar a agonia destes doentes.

Tudo em prol da vida, mas como lembra Marcos Sá (deputado que pretende levar o tema a discussão no próximo congresso do PS) a "vida é linda e a morte faz parte dela".

Actualmente a lei portuguesa condena e penaliza quem pratique eutanásia.
Um homicida para todos os efeitos, com penas que vão de 3 a 5 anos de prisão.
Mas na Europa, no que diz respeito à eutanásia e morte assistida temos 3 países que já legalizaram esta práctica: Bélgica, Luxemburgo e a Holanda. A Suiça mantém uma atitude moderada.

Há quem defenda que o governo devia apostar mais nos cuidados paliativos e investir nessa área de modo a minimizar dores e sofrimentos atrozes dos doentes terminais, ao invés da morte assistida.

Mas acresce ainda a religião. A moral.

E haverá moralidade em obrigar o próximo a sofrer e permanecer em agonia? Será isso justo?
E será justo também sermos nós a decidir ou a ajudar a terminar a vida de outrem? Temos nós esse direito?

A juntar a toda esta panóplia de emoções e pontos de vista, questiono ainda: terão todos os médicos a capacidade de utilizar esta práctica condigna e justamente, caso seja permitida ou legalizada?

No caso mediático mais recente sobre esta práctica - o caso de Eluana Englaro, italiana, que vivia em estado vegetativo há mais de 17 anos - a determinada altura e antes de vir a falecer esta semana (o que gerou uma onda de debates a nível nacional e uma crise institucional no país) o director do jornal italiano "La Reppublica" escreveu:

Aquele pai [de Euluana] está entre a mulher gravemente doente [com um cancro] e uma filha inconsciente há tantos anos que nem se podem contar. Ninguém tem sequer o direito, de fora, de imaginar o seu tormento (...). Entre a mulher e a filha ele mantém a sua família. O que resta, claro. Mas também aquilo que é. Existirá uma família italiana, neste 2009, mais "família" que esta?


January 27, 2009

Maladie

Acontece a qualquer um.
Não importa de que tonalidade se veste a sua pele, de que valores pululam a sua conta bancária, nem em que condomínio habita.
Acontece a qualquer um.

Aconteceu-me. Fiquei doente.
Durante 4 dias derreti em febrões de 39,5ºC, o corpo imerso em borbulhagem parecida com a varicela, mas longe de o ser.
Quarentena em casa e ao fim de 3 dias, ida ao hospital para lá ficar internada.
Uma noite para esquecer.
De manhã os resultados, tinha "mononucleose infecciosa".

Só o nome dá arrepios. Felizmente a febre baixou e com isso veio a alta.

Regressei a casa, mais parecia ter chegado ao Shangri-La.
Nunca me soube tão bem entrar naquela casa.
Nunca me soube tão bem poder voltar a ver as minhas coisas, mexer no meu (parco) espólio e voltar à minha sagrada cama.

Regressei agora ao trabalho, apesar de muito fraca ainda.
Parece que cavo batatas o dia inteiro. O menor esforço cansa-me.
Fiquei a saber que é uma doença de jovens, que se apresenta das mais variadas formas, conforme o individuo.

Enalteci o ego com a confirmação de que o meu ar jovial afinal ainda se reflecte no meu corpo, até nas doenças (brincadeirinha :)

Anseio agora pela Primavera, pelos passarinhos e pelas abelhas, pelo sol, pela praia, para ver se recupero, já que ainda assim a idade não perdoa, está cá e não hajam ilusões.